dez 182013
 
Já não é de hoje que a área de TI tenta superar suas deficiências com soluções “mágicas”.
Considerando que a documentação dos sistemas em tempo de projeto/modelagem é quase sempre negligenciada, mas que mesmo assim os sistemas são implantados(!), a “retrodocumentação” é muitas vezes necessária, principalmente quando os sistemas em questão são críticos para a empresa (o que leva à reflexão constante dos motivos pelos quais o sistema foi implantado sem documentação…mas isso é conversa pra outro post).
Dado então que a retrodocumentação manual consome muito tempo e esforço, surgem soluções mirabulosas que prometem documentar TODOS os elementos do sistema a partir dos componentes de implementação (tais como tabelas, classes, telas, e, dependendo do ambiente  jobs, books, programas e afins). Note que isso soa tão estranho quanto pensar que é possível materializar um boi a partir da carne moída resultante do mesmo!
É fato que há inúmeras inferências possíveis a serem realizadas a partir dos artefatos de implementação, mas é mentira vender – e ilusão acreditar – que qualquer ferramenta terá a capacidade sobrenatural de criar artefatos de requisitos e/ou de análise (ex: casos de uso, diagramas de contexto, listas de requisitos) ou mesmo alguns de design (modelos lógicos de dados, diagramas de estados, entre outros) meramente a partir da avaliação de relacionamentos explícitos entre os elementos físicos, ou de interpretações de nomes e padrões de implementação!
Portanto, se alguém, na empresa em que você trabalha, ou na sua equipe, ou de algum fornecedor “esperto”, ventilar a realização de retrodocumentação de sistemas de informação de modo automatizado, CUIDADO! Há um limite racional em relação àquilo que esse tipo de ferramenta consegue inferir e criar…
Há também inúmeras limitações conhecidas em relação à atualização futura da documentação produzida por ferramentas dessa natureza!
Esperar ou prometer mais do que a criação de artefatos físicos (ex: modelos de classes de implementação, modelos de dados físicos, diagramas de navegação de telas, diagramas hierárquicos de funções, entre outros), ou é propaganda enganosa de quem vende a “solução” ou é uma expectativa fantasiosa de quem “compra a solução”; e os dois comportamentos levam a problemas que conhecemos bem!

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