dez 202013
 
Essa é uma frase muito repetida ultimamente, principalmente em meio a conversas sobre metodologias ágeis x formais, ou sobre abordagens de levantamento e modelagem de sistemas;  justamente por ser uma frase tão repetida e pelo fato do RUP (Rational Unified Process) ser tão conhecido e utilizado, valem algumas reflexões.
Como introdução, cabe recordar que o RUP é uma compilação comercial E expandida do USDP (Unified Software Development Process) e que o RUP começou a ganhar força de uso prático por volta do ano 2000, tendo seu uso e adoção crescido fortemente e atingido o “ápice” (no Brasil) por volta de 2004. Ainda hoje há um conjunto expressivo de empresas E processos de desenvolvimento que utilizam o RUP, ou são baseados no mesmo.
Alguns dos principais produtos de trabalho utilizados hoje, como por exemplo, o Diagrama de Casos de Uso e a Especificação de Casos de Uso (fortemente utilizados, respectivamente, para capturar o contexto da solução de software e descrever o comportamento das funcionalidades) são oriundos do RUP.  Infelizmente, nem todas as boas práticas preconizadas pelo RUP foram igualmente difundidas, compreendidas ou aplicadas, tais como:
  • desenvolvimento iterativo/incremental ao invés de cascata (waterfall)
  • planejamento iterativo ao invés de planejamento rígido/antecipado (upfront)
  • configuração/adaptação do processo à realidade e dinâmica da Organização, bem como do(s) projeto(s) – (tailoring)
  • uso de arquiteturas baseadas em componentes
  • foco em atividades e responsabilidades ao invés de artefatos (produtos)
Deste modo, não é preciso “cavar” muito para constatar que o RUP (Rational Unified Process) “já era” ágil – antes mesmo do manifesto ágil! O RUP “já era” orientado ao desenvolvimento iterativo e incremental quando esta abordagem ainda era alvo de estudos, com poucos projetos realizados no mundo real do desenvolvimento e manutenção de sistemas.
O RUP  “já era” orientado a atividades, papéis e responsabilidades (e não artefatos) desde seu nascimento como reunião natural dos conceitos do USDP e de uma abordagem que visa a produtividade, com um viés natural para o uso de ferramentas de produtividade.
O fato infeliz, para o RUP e para o mercado de modo geral, é que a maioria dos que adotaram os princípios do processo o fizeram de modo errado, ou com ênfase pesada (e errada) na produção de artefatos, o que cria um ranso natural entre as equipes que acabam percebendo mais cedo ou mais tarde que a criação de demasiados artefatos pode engessar e burocratizar o trabalho (aliás, este aviso também consta no RUP, ou seja, o RUP também já era uma boa fonte de boas práticas relativas à implementação de processos de software E mudança cultural).
Em um mundo que busca a inovação mas insiste em reinventar a roda, é fantástico poder compartilhar que o RUP “já era” tantas coisas boas, apesar de algumas correntes tentarem rotular os princípios ágeis como sendo sinônimo de novidade e ineditismo E colocar as metodologias ágeis como antônimos de processos sólidos como o RUP.
Portanto, quem afirma que o RUP “já era” está absolutamente certo. Basta saber do que se está falando!

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